Exposições
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Fotografia Moderna  1940 - 1960

Fotografia Moderna 
1940 – 1960

A Luciana Brito Galeria e Isabel Amado apresentam exposição composta por mais de 90 fotografias                              

– incluindo obras inéditas, vintage e edições – de nove grandes autores modernos

Pela primeira vez, reúne-se em um casa modernista em São Paulo – a residência Castor Delgado Perez, de Rino Levi, sede da Luciana Brito Galeria – um conjunto expressivo de fotografias de Geraldo de Barros, Gertrudes Altschul, Thomaz Farkas, Ademar Manarini, Paulo Pires, Marcel Giró, Gaspar Gasparian, Eduardo Salvatore e Mario Fiori, representantes da vertente moderna da fotografia brasileira, linguagem que mudou radicalmente o conceito do que é arte no universo da fotografia e das artes visuais. Realizada em parceria com Isabel Amado, a exposição Fotografia Moderna 1940 – 1960 tem abertura em 29 de junho e pode ser visitada até 7 de setembro.

Dado o interesse que esse período da produção fotográfica nacional tem ganhado na última década, Fotografia Moderna 1940 – 1960 propõe-se, com suas mais de 90 obras, a reunir fotos inéditas e outras que ainda não circularam ostensivamente e que, portanto, não são tão conhecidas do público. Com destaque para Geraldo de Barros, precursor do Concretismo no Brasil e cofundador do Grupo Ruptura, e Gertrudes Altschul, uma das poucas mulheres a ter a relevância de sua produção reconhecida neste período, a mostra espera contribuir, assim, para a ampliação do repertório visual que vem sendo construído em torno desses artistas.

A fotografia moderna no Brasil aliou o desejo de inventividade e interpretação subjetiva do mundo no contexto do pós-guerra às especificidades dos movimentos de industrialização e urbanização brasileiros. Impulsionado pela fundação do Fotocineclube Bandeirantes, em 1939, o cenário da fotografia nacional observou uma efervescência única a partir da década de 1940, quando seus representantes se afastaram do pictorialismo academicista e abriram uma discussão sobre a essência do fazer fotográfico e sua autonomia enquanto forma artística em si e por si.

São justamente os caminhos percorridos na busca por essa nova estética capaz de conferir à fotografia o estatuto de arte que podem ser vistos em Fotografia Moderna 1940 – 1960. Por um lado, essa investigação se deu no abandono de temas clássicos e pelo interesse pela abstração, pelo contrate entre luz e sombra, por cenários cosmopolitas e pela quebra de regras de perspectiva e composição. Em âmbito complementar, esses fotógrafos inauguraram uma visualidade marcada pela investigação dos recursos técnicos inerentes à própria mídia por meio de experiências laboratoriais e intervenções diretas no processo fotográfico como a múltipla exposição ou recortes de uma mesma chapa, a realização de fotogramas (quando os objetos eram colocados diretamente embaixo do ampliador, gerando fotografias sem a mediação de uma máquina fotográfica), superposições e desenhos executados diretamente no negativo.

A fim de apresentar a autonomia do corpo de trabalho dos fotógrafos participantes – cujas obras integram o acervo de importantes instituições, como MoMA e TATE Modern – sem deixar de lado seus possíveis diálogos e pontos de contato, a expografia de Fotografia Moderna 1940 – 1960 divide-se em dois momentos. Enquanto a Sala Rino Levi da Luciana Brito Galeria é ocupada por ampliações vintage distribuídas de maneira tradicional, agrupadas por autor, no Anexo encontram-se as edições contemporâneas, reunidas por afinidades de assuntos, linguagens e temas.

Assim, por exemplo, algumas das Fotoformas mais ilustres de Geraldo de Barros podem ser vistas ao lado de suas ampliações de desenhos sobre negativo com ponta-seca e nanquim, ou, ainda, as fachadas que beiram a abstração de Thomaz Farkas são acompanhadas não apenas por seu trabalho de interesse documental como também por experimentações surrealistas. De forma semelhante, fotogramas, estudos de composição e até naturezas-mortas vintage, além de ampliações contemporâneas de seus estudos arquitetônicos, representam a ampla gama do corpo de trabalho de Gertrudes Altschul na mostra.


Artistas participantes
_ Geraldo de Barros (1923, Chavantes, SP – 1998, São Paulo, SP)
_ Gertrudes Altschul (1904, Berlim, Alemanha – 1962, São Paulo, SP)
_ Thomaz Farkas (1924, Budapeste, Hungria – 2011, São Paulo, SP)
_ Ademar Manarini (1920, Valinhos, SP – 1989, Campinas, SP)
_ Paulo Pires (1928, Franca, SP – 2015, São Carlos, SP)
_ Marcel Giró (1913, Badalona, Espanha – 2011, Barcelona, Espanha)
_ Gaspar Gasparian (1899 –1966, São Paulo, SP)
_ Eduardo Salvatore (1914 – 2006, São Paulo, SP)
_ Mario Fiori (1908 – 1985, São Paulo, SP)


Sobre a Luciana Brito Galeria
Fundada em 1997 com o intuito de difundir globalmente a produção brasileira e de que divulgar, no Brasil, o trabalho de artistas de relevância mundial, a Luciana Brito Galeria já nasceu como um projeto de vocação internacional e intergeracional. Constituída como um espaço aberto ao diálogo, inclui entre suas representações espólios de nomes essenciais do Concretismo nacional, como Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros; artistas estabelecidos e renomados mundialmente, dentre os quais encontram-se Regina Silveira, Marina Abramović, Caio Reisewitz e Héctor Zamora; e jovens que começaram a produzir a partir do século 21, como Tiago Tebet. Em abril de 2016, após quinze anos na Vila Olímpia, a Luciana Brito Galeria se transferiu para uma residência modernista projetada por Rino Levi com paisagismo de Burle Marx, no Jardim Europa. Com a troca de endereço, a galeria dá início a um projeto em que a herança arquitetônica modernista e questões urbanísticas integram-se à produção visual contemporânea, em busca de novas formas de perceber e mostrar arte.

Sobre Isabel Amado
Galerista, marchand, colecionadora e expert, Isabel Amado (1963, Rio de Janeiro) atua no universo da fotografia desde 1988, quando iniciou sua carreira na Galeria Fotoptica, fundada por Thomaz Farkas. É uma das principais especialistas em fotografia moderna brasileira e vem desenvolvendo um notável trabalho de “revelação” de nomes do período. Ela mediou a aquisição, pelo MASP, de 297 fotografias em regime de comodato em 2014; em 2016, intermediou a venda de 28 trabalhos vintage do período para o MoMA (EUA); e, a seguir, coordenou a comercialização de 12 fotografias modernas para Tate Modern (Inglaterra). Desde 2000, dirige a empresa Anima Montagens, em São Paulo, especializada na organização e na manutenção de arquivos e acervos de fotografia, e, desde 2009, dedica-se também ao mercado de arte através da plataforma Isabel Amado Fotografia.




 

De Olhos Vendados, O Estado de São Paulo, dezembro de 1999