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Fotografia Moderna 1940 – 1960, Revista Arte! Brasileiros, agosto de 2019

Fotografia Moderna 
1940 – 1960

A Luciana Brito Galeria e Isabel Amado apresentam exposição composta por mais de 90 fotografias – incluindo obras inéditas, vintage e edições – de nove grandes autores modernos
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Pela primeira vez, reúne-se em um casa modernista em São Paulo – a residência Castor Delgado Perez, de Rino Levi, sede da Luciana Brito Galeria – um conjunto expressivo de fotografias de Geraldo de Barros, Gertrudes Altschul, Thomas Farkas, Ademar Manarini, Paulo Pires, Marcel Giró, Gaspar Gasparian, Eduardo Salvatore e Mario Fiori, representantes da vertente moderna da fotografia brasileira, linguagem que mudou radicalmente o conceito do que é arte no universo da fotografia e das artes visuais. Realizada em parceria com Isabel Amado, a exposição Fotografia Moderna 1940 – 1960 tem abertura em 29 de junho e pode ser visitada até 7 de setembro.

Dado o interesse que esse período da produção fotográfica nacional tem ganhado na última década, Fotografia Moderna 1940 – 1960 propõe-se, com suas mais de 90 obras, a reunir fotos inéditas e outras que ainda não circularam ostensivamente e que, portanto, não são tão conhecidas do público. Com destaque para Geraldo de Barros, precursor do Concretismo no Brasil e cofundador do Grupo Ruptura, e Gertrudes Altschul, uma das poucas mulheres a ter a relevância de sua produção reconhecida neste período, a mostra espera contribuir, assim, para a ampliação do repertório visual que vem sendo construído em torno desses artistas.

A fotografia moderna no Brasil aliou o desejo de inventividade e interpretação subjetiva do mundo no contexto do pós-guerra às especificidades dos movimentos de industrialização e urbanização brasileiros. Impulsionado pela fundação do Fotocineclube Bandeirantes, em 1939, o cenário da fotografia nacional observou uma efervescência única a partir da década de 1940, quando seus representantes se afastaram do pictorialismo academicista e abriram uma discussão sobre a essência do fazer fotográfico e sua autonomia enquanto forma artística em si e por si.

São justamente os caminhos percorridos na busca por essa nova estética capaz de conferir à fotografia o estatuto de arte que podem ser vistos em Fotografia Moderna 1940 – 1960. Por um lado, essa investigação se deu no abandono de temas clássicos e pelo interesse pela abstração, pelo contrate entre luz e sombra, por cenários cosmopolitas e pela quebra de regras de perspectiva e composição. Em âmbito complementar, esses fotógrafos inauguraram uma visualidade marcada pela investigação dos recursos técnicos inerentes à própria mídia por meio de experiências laboratoriais e intervenções diretas no processo fotográfico como a múltipla exposição ou recortes de uma mesma chapa, a realização de fotogramas (quando os objetos eram colocados diretamente embaixo do ampliador, gerando fotografias sem a mediação de uma máquina fotográfica), superposições e desenhos executados diretamente no negativo.

A fim de apresentar a autonomia do corpo de trabalho dos fotógrafos participantes – cujas obras integram o acervo de importantes instituições, como MoMA e TATE Modern – sem deixar de lado seus possíveis diálogos e pontos de contato, a expografia de Fotografia Moderna 1940 – 1960 divide-se em dois momentos. Enquanto a Sala Rino Levi da Luciana Brito Galeria é ocupada por ampliações vintage distribuídas de maneira tradicional, agrupadas por autor, no Anexo encontram-se as edições contemporâneas, reunidas por afinidades de assuntos, linguagens e temas.

Assim, por exemplo, algumas das Fotoformas mais ilustres de Geraldo de Barros podem ser vistas ao lado de suas ampliações de desenhos sobre negativo com ponta-seca e nanquim, ou, ainda, as fachadas que beiram a abstração de Thomaz Farkas são acompanhadas não apenas por seu trabalho de interesse documental como também por experimentações surrealistas. De forma semelhante, fotogramas, estudos de composição e até naturezas-mortas vintage, além de ampliações contemporâneas de seus estudos arquitetônicos, representam a ampla gama do corpo de trabalho de Gertrudes Altschul na mostra.


Artistas participantes
_ Geraldo de Barros (1923, Chavantes, SP – 1998, São Paulo, SP)
_ Gertrudes Altschul (1904, Berlim, Alemanha – 1962, São Paulo, SP)
_ Thomaz Farkas (1924, Budapeste, Hungria – 2011, São Paulo, SP)
_ Ademar Manarini (1920, Valinhos, SP – 1989, Campinas, SP)
_ Paulo Pires (1928, Franca, SP – 2015, São Carlos, SP)
_ Marcel Giró (1913, Badalona, Espanha – 2011, Barcelona, Espanha)
_ Gaspar Gasparian (1899 –1966, São Paulo, SP)
_ Eduardo Salvatore (1914 – 2006, São Paulo, SP)
_ Mario Fiori (1908 – 1985, São Paulo, SP)


Sobre a Luciana Brito Galeria
Fundada em 1997 com o intuito de difundir globalmente a produção brasileira e de que divulgar, no Brasil, o trabalho de artistas de relevância mundial, a Luciana Brito Galeria já nasceu como um projeto de vocação internacional e intergeracional. Constituída como um espaço aberto ao diálogo, inclui entre suas representações espólios de nomes essenciais do Concretismo nacional, como Waldemar Cordeiro e Geraldo de Barros; artistas estabelecidos e renomados mundialmente, dentre os quais encontram-se Regina Silveira, Marina Abramović, Caio Reisewitz e Héctor Zamora; e jovens que começaram a produzir a partir do século 21, como Tiago Tebet. Em abril de 2016, após quinze anos na Vila Olímpia, a Luciana Brito Galeria se transferiu para uma residência modernista projetada por Rino Levi com paisagismo de Burle Marx, no Jardim Europa. Com a troca de endereço, a galeria dá início a um projeto em que a herança arquitetônica modernista e questões urbanísticas integram-se à produção visual contemporânea, em busca de novas formas de perceber e mostrar arte.

Sobre Isabel Amado
Galerista, marchand, colecionadora e expert, Isabel Amado (1963, Rio de Janeiro) atua no universo da fotografia desde 1988, quando iniciou sua carreira na Galeria Fotoptica, fundada por Thomaz Farkas. É uma das principais especialistas em fotografia moderna brasileira e vem desenvolvendo um notável trabalho de “revelação” de nomes do período. Ela mediou a aquisição, pelo MASP, de 297 fotografias em regime de comodato em 2014; em 2016, intermediou a venda de 28 trabalhos vintage do período para o MoMA (EUA); e, a seguir, coordenou a comercialização de 12 fotografias modernas para Tate Modern (Inglaterra). Desde 2000, dirige a empresa Anima Montagens, em São Paulo, especializada na organização e na manutenção de arquivos e acervos de fotografia, e, desde 2009, dedica-se também ao mercado de arte através da plataforma Isabel Amado Fotografia.





 

Exposição reúne nove fotógrafos históricos, jornal O Estado de São Paulo, 27 de junho de 2019

A mostra Fotografia Moderna 1940-1960, que será aberta dia 29, sábado, na Luciana Brito Galeria, traz imagens de Thomaz Farkas e Gaspar Gasparian, entre outros.

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

27 de junho de 2019 | 03h00

A arquitetura moderna da residência Castor Delgado Perez, projeto assinado em 1958 por Rino Levi (1901-1965), é o cenário ideal para uma mostra como Fotografia Moderna 1940-1960, que a Luciano Brito Galeria abre neste sábado, dia 29, em parceria com Isabel Amado. Foi exatamente no período final coberto pela mostra que Brasília começava a sair do papel e João Gilberto lançava a primeira gravação da bossa-nova (Chega de Saudade, de 1958, mesmo ano da casa de Rino Levi). Com jardins projetados por Burle Marx e sua volumetria pura, a casa era o tipo de projeto arquitetônico que os fotógrafos experimentais da época adoravam registrar – e a exposição, com quase uma centena de imagens de nove fotógrafos, tem composições geométricas que usam edifícios modernos como modelos.

Hoje presentes nos acervos de grandes instituições internacionais, como o Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) e a Tate Modern de Londres, esses fotógrafos, de diferentes origens, tiveram em comum um clube de profissionais liberais que faziam experiências com fotografia, o Foto Cine Clube Bandeirante, fundado em 1939. Dos exemplos marcantes que participaram dele, Gaspar Gasparian (1899-1966), Geraldo de Barros (1923-1998) e Thomaz Farkas (1924-2011) são imediatamente associados ao experimentalismo que caracterizou a moderna fotografia brasileira dos anos 1940 em diante.

“Na época, os fotógrafos brasileiros estavam deixando para trás a referência pictorialista para enveredar por outro caminho”, lembra a curadora Isabel Amado. Um exemplo foi Gaspar Gasparian que, nascido no fim do século 19, se tornou conhecido como o introdutor da sintaxe visual moderna da chamada Escola Paulista, grupo informal ligado à estética da arquitetura brutalista. Contemporânea de Gasparian, a alemã Gertrudes Altschul (1904-1962), uma das raras mulheres do Foto Cine Clube Bandeirante, tinha pelos edifícios modernos o mesmo apego, dedicando-se a explorar a temática urbana, além de, a exemplo de Gasparian, fotografar objetos cotidianos e seus reflexos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Composição da alemã Gertrudes Altschul feita com escova e pente Foto: Gertrudes Altschul

Luciana Brito Galeria

Dos nove integrantes da exposição Fotografia Moderna 1940-1960, três vieram da Europa fugindo do nazi-fascismo: a berlinense Gertrudes Altschul, o catalão Marcel Giró (1913-2011) e o húngaro Thomaz Farkas. É possível identificar nas fotos dos três elementos da vanguarda europeia (o construtivista russo Rodchenko, em particular).

A exposição Fotografia Moderna 1940-1960, além de fotógrafos internacionalmente reconhecidos, tem imagens que ajudaram a mudar o panorama de um país que abandonava seu passado colonial e ingressava na modernidade. Há nela fotógrafos como Thomaz Farkas que, em 1949, a convite do criador do Masp, Pietro Maria Bardi, realizou a primeira exposição de fotografia do museu, introduzindo sua linguagem abstrato-geométrica ao público. É possível pensar em Farkas como um discípulo tardio de Rodchenko, mas seria injusto não citar a influência de outros vanguardistas – e o nome do seu patrício húngaro Moholy-Nagy é incontornável quando se vê uma foto de Farkas como o um edifício visto em contra-plongée sintetizado numa construção gráfica.

Outro exemplo anteriormente citado é o do catalão Marcel Giró, visto nesta página num autorretrato de 1953, ano em que abriu o próprio estúdio em São Paulo, tornando-se pioneiro da fotografia publicitária no Brasil e mestre de fotógrafos como J.R. Duran e Márcio Scavone. Igualmente inspirado pelos grandes nomes do construtivismo e da Bauhaus, como Farkas, Giró foi, a exemplo de Gasparian, um pictorialista que trocou o realismo pelas composições de caráter experimental – como seu autorretrato diante de um prédio moderno.

A vocação dos fotógrafos ligados ao Foto Cine Clube Bandeirante era determinada, em certa medida, pelo convívio com artistas de formação ou diretamente ligados ao concretismo, sendo Geraldo de Barros o exemplo imediato dessa escola, expandido as fronteiras do processo fotográfico tradicional ao intervir diretamente nos negativos. É também um dos mais caros da exposição, que tem fotografias com preços variáveis entre R$ 13 mil e R$ 200 mil.

Ligado ao movimento concreto desde seus primórdios – o grupo Ruptura, de 1953, coordenado por Waldemar Cordeiro – o fotógrafo Ademar Manarini (1920-1989), que foi industrial, como Geraldo de Barros, designer de móveis, tinha, como todos os fotógrafos da Escola Paulista, interesse na construção geométrica ao compor suas imagens. Prova disso é sua foto reproduzida a seguir (uma passarela no largo Ana Rosa em 1950). A multiexposição seria frequente na obra de Manarini – e essa foi uma característica dos fotoclubistas da época, sendo um dos expoentes do Foto Cine Clube Bandeirante Eduardo Salvatore (1914-2006), representado na exposição com uma foto que integra o acervo do MoMA, Os Bancos (1960).

Foto do Largo Ana Rosa feita nos anos 1950 por Manarini Foto: Ademar Manarini

Luciana Brito Galeria

A mostra traz ainda fotografias de Mario Fiori (1908-1985) e Paulo Pires (1928-2015). O primeiro, filho de imigrantes italianos, foi alfaiate e enfermeiro, antes de se integrar ao Foto Cine Clube Bandeirante em 1948. É dele uma enigmática foto conceitual, Dia de Folga, que resume seu título numa corrente. Paulo Pires, na linha de Manarini, registrou a transformação da metrópole, mas não de forma documental. Suas imagens resultam de um sofisticado trabalho de composição.

Fotografia Moderna 1940 – 1960, Arte que Acontece, 27 de junho de 2019

 

Pela primeira vez, reúne-se em um casa modernista em São Paulo – a residência Castor Delgado Perez, de Rino Levi, sede da Luciana Brito Galeria – um conjunto expressivo de fotografias de Geraldo de Barros, Gertrudes Altschul, Thomaz Farkas, Ademar Manarini, Paulo Pires, Marcel Giró, Gaspar Gasparian, Eduardo Salvatore e Mario Fiori, representantes da vertente moderna da fotografia brasileira, linguagem que mudou radicalmente o conceito do que é arte no universo da fotografia e das artes visuais. Realizada em parceria com Isabel Amado, a exposição “Fotografia Moderna 1940 – 1960” propõe-se, com suas mais de 90 obras, a reunir fotos inéditas e outras que ainda não circularam ostensivamente e que, portanto, não são tão conhecidas do público.

 

Com destaque para Geraldo de Barros, precursor do Concretismo no Brasil e cofundador do Grupo Ruptura, e Gertrudes Altschul, uma das poucas mulheres a ter a relevância de sua produção reconhecida neste período, a mostra espera contribuir, assim, para a ampliação do repertório visual que vem sendo construído em torno desses artistas. A fotografia moderna no Brasil aliou o desejo de inventividade e interpretação subjetiva do mundo no contexto do pós-guerra às especificidades dos movimentos de industrialização e urbanização brasileiros. Impulsionado pela fundação do Fotocineclube Bandeirantes, em 1939, o cenário da fotografia nacional observou uma efervescência única a partir da década de 1940, quando seus representantes se afastaram do pictorialismo academicista e abriram uma discussão sobre a essência do fazer fotográfico e sua autonomia enquanto forma artística em si e por si.

    Foto do Largo Ana Rosa feita nos anos 1950 por Ademar Manarini

Fotografia Moderna 1940 – 1960
Abertura: 29/06/19, 12h-18h
Visitação: até 07/09/19;; terça a sexta, 10h-19h;; sábado, 11h-18h
Luciana Brito Galeria: Avenida Nove de Julho, 5162, São Paulo. Entrada gratuita

De Olhos Vendados, O Estado de São Paulo, dezembro de 1999

Fotografia vintage é destaque entre galerias da SP-Arte/Foto 2018 jornal O Estado de São Paulo, 20 agosto 2018

Fotografia vintage é destaque entre galerias da SP-Arte/Foto 2018 jornal O Estado de São Paulo, 20 agosto 2018

Na Fronteira dos Sentidos, jornal O Estado de São Paulo, maio de 1997

Na Fronteira dos Sentidos, jornal Folha de São Paulo, maio de 1997

Entrevista por Nilza Botteon, revista Iris Foto, março de 1993

As 40 Melhores Fotografias do Acervo da Galeria Fotoptica, jornal Folha de São Paulo, dezembro de 1989

Na Fronteira dos Sentidos, Jornal da Tarde, maio de 1997

Cinco Anos de Fotojornalismo na Revista Goodyear, Jornal da Tarde, agosto de 1990

Na Fronteira dos Sentidos, Folha de São Paulo, maio de 1997

De Olhos Vendados, jornal O Estado de São Paulo, dezembro de 1999

Convergência, jornal O Globo, agosto de 2009

Marcel Giró Moderno, jornal Folha de São Paulo, novembro de 2013

A Fotografia na Decoração, jornal Folha de São Paulo, novembro de 1992

Fotografia Moderna, Uol, junho de 2016

Paralelas e Diagonais, jornal O Estado de São Paulo, agosto de 2016

Entrevista por Alexandre Belém, blog Olhavê, setembro de 2011

NAFOTO, revista Iris Foto, maio 1993

Entrevista por Hermés Galvão, revista Gol, 2009

NAFOTO, blog Olhavê, maio de 2010

1˚ parte

NAFOTO, blog Olhavê, maio de 2010

2˚ parte